Está pensando em registrar sua marca Descubra o que considerar antes de iniciar o processo

Está pensando em registrar sua marca? Descubra o que considerar antes de iniciar o processo

Você já escolheu o nome da sua marca, criou a identidade visual, comprou o domínio e começou a divulgar o negócio. Mas será que esse nome está realmente disponível para uso e registro? Muitas pessoas descobrem tarde demais que o nome escolhido já pertence a outra empresa ou que não atende aos critérios exigidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Neste artigo, você vai entender o que considerar antes de registrar sua marca, como fazer uma pesquisa de viabilidade de forma segura e o que pode aumentar as chances de sucesso no processo de registro.

O que é uma marca registrável?

De acordo com a Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), marca é todo sinal distintivo visualmente perceptível, que identifica produtos ou serviços e os distingue de outros idênticos ou semelhantes. Ou seja, é aquilo que faz o consumidor reconhecer sua empresa no meio de tantas outras.

Porém, nem todo nome desejado é registrável. Para que uma marca possa ser protegida legalmente, ela deve atender a três critérios principais:

Disponibilidade: a marca não pode ser idêntica ou similar a outra já registrada ou em análise no mesmo segmento de mercado (classe de atividade), sob risco de conflito de anterioridade.

Distintividade: o nome deve ter capacidade de individualizar produtos ou serviços. Termos genéricos, descritivos (como “Cursos Online”) ou de uso comum não são aceitos, pois não têm caráter distintivo.

Licitude: não pode conter palavras ofensivas, termos vedados por lei, nomes oficiais, símbolos públicos ou qualquer elemento que infrinja direitos de terceiros, como nomes de pessoas famosas ou marcas já consagradas.

A combinação desses critérios garante que a marca seja exclusiva, legítima e verdadeiramente capaz de representar um negócio no mercado. É por isso que a avaliação jurídica, mesmo antes da escolha do nome, é tão relevante.

Por que tantas marcas são indeferidas?

Você pode ter um nome criativo, visual bonito e até estar utilizando nas redes sociais, mas isso não garante que o INPI vai aprovar o registro. E é aqui que muitas empresas se frustram.

Grande parte dos pedidos de registro é indeferida por conflito com marcas anteriores, seja por coincidência gráfica, fonética ou conceitual. O sistema do INPI é criterioso quanto à possibilidade de confusão por parte do consumidor, mesmo que os nomes não sejam idênticos. Além disso, nomes descritivos e de uso comum também são frequentemente negados por falta de distintividade.

Outro motivo recorrente de indeferimento é a inobservância da classe correta. O Brasil adota a Classificação de Nice, que divide os produtos e serviços em 45 classes. Muitos empreendedores fazem o pedido na classe errada ou deixam de registrar em todas as classes relevantes para a proteção do negócio.

Finalmente, muitos indeferimentos ocorrem porque o requerente ignora restrições legais, como o uso de expressões vedadas, símbolos protegidos ou nomes de instituições públicas.

Tudo isso reforça a importância de uma pesquisa de viabilidade técnica e jurídica antes de formalizar qualquer pedido.

Como fazer uma pesquisa de viabilidade de marca no INPI

A pesquisa de viabilidade é o primeiro filtro para saber se a marca que você deseja tem chance real de ser registrada. Ela deve ser feita com cautela, considerando não apenas a existência de nomes idênticos, mas também de termos semelhantes na mesma classe ou em áreas relacionadas.

O procedimento pode ser feito diretamente no sistema de busca de marcas do INPI. Para acessar a plataforma de forma completa, é necessário criar um login e uma vez logado, você poderá pesquisar por nome, número de processo, titularidade ou classe. O ideal é realizar buscas amplas, utilizando radicais do nome, variações de grafia e fonética, e verificar também marcas que estejam em exame ou aguardando decisão.

Quando o nome pesquisado apresenta semelhança ou proximidade com marcas já registradas na mesma classe, as chances de indeferimento aumentam consideravelmente. Porém, marcas semelhantes podem coexistir se estiverem registradas em classes diferentes e não causarem confusão no consumidor.

Vale ressaltar que essa pesquisa não é uma garantia de deferimento, mas é essencial para reduzir riscos. O ideal é combiná-la com uma análise jurídica mais aprofundada.

Dica prática: como criar um nome com mais chance de registro

Criar um nome registrável exige mais do que criatividade, é preciso estratégia. A escolha de um nome forte deve considerar a originalidade, a capacidade de individualização e a segurança jurídica.

Evite nomes genéricos, descritivos ou que apenas refletem o serviço prestado. “Mentoria Online”, “Saúde Total” ou “Negócios Digitais” dificilmente serão aceitos como marcas, pois não diferenciam seu negócio dos demais.

O ideal é buscar combinações originais, com palavras inventadas, nomes compostos, estrangeirismos ou símbolos pouco usuais. Marcas como “Eduzz” e “Hotmart” são exemplos de nomes que se destacam por sua distintividade e baixo risco de colisão com registros existentes.

Além disso, sempre verifique se o nome não está em uso em redes sociais  e sites. Esse cuidado evita disputas futuras e garante uma identidade digital consistente desde o início.

Exemplo prático

Vamos imaginar um caso fictício de um infoprodutor que decide lançar uma plataforma de cursos com o nome “Impacto Digital”. Contudo, ao realizar a busca no INPI ele descobre que existem registros semelhantes na mesma classe, como “Digital Impacto”. O risco de indeferimento é alto.

Diante disso, o infoprodutor reformula o nome para “Digitimpacto”, termo original, sem registros semelhantes e com identidade forte. Ao fazer a nova busca, verifica que não há colisões e o pedido é feito com segurança. Resultado: maior chance de deferimento e uma marca com real potencial de diferenciação no mercado.

Casos assim demonstram que a escolha certa desde o início evita prejuízos e fortalece o posicionamento da marca.

Conclusão

Registrar uma marca não é apenas uma formalidade, é um ato de proteção patrimonial e estratégica. Em um mercado digital competitivo, onde a credibilidade e a originalidade são ativos valiosos, garantir que sua marca esteja legalmente protegida é indispensável.

Desde a escolha do nome até a pesquisa de viabilidade e o protocolo do pedido, cada etapa exige atenção. Muitas marcas são negadas não por má-fé, mas por falta de orientação adequada.

Se você está nessa fase, não espere pelo problema para buscar ajuda. Um nome mal escolhido pode gerar dores de cabeça, enquanto um nome bem planejado pode se tornar o maior diferencial do seu negócio.

Conte com o apoio de um profissional especializado e transforme sua marca em um ativo protegido, forte e pronto para crescer.

Referências bibliográficas:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm;
https://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/marcas/guia-basico;